quarta-feira, 9 de maio de 2012
A Crise de 1929
Introdução - O ano de 1929 pode ser considerado o marco de uma das maiores crises da
história do capitalismo. Foi o ano em que os Estados Unidos foram abalados por
uma grave crise econômica que repercutiu no mundo inteiro.
Durante a Primeira
Guerra Mundial (1914-1918),os Estados Unidos, foram os principais
fornecedores dos países europeus, exportando grandes quantidades de produtos
industrializados, alimentos e capitais (sob a forma de empréstimos).
No pós-guerra, os Estados Unidos, tornaram-se a maior potência econômica do
mundo. Em 1920, a indústria norte-americana produzia quase 50% de toda a
produção industrial do mundo. Por quase toda a década de 20, a prosperidade econômica
gerou nos norte-americanos um clima de grande euforia e de consumo desenfreado,
gerando o modo de vida americano (American way of life), como modelo de
progresso. Viver bem significava consumir cada vez mais.
Porém, no final da década de 20, a produção norte-americana atingiu um ritmo de
crescimento muito maior do que a demanda por seus produtos, gerando umacrise de
superprodução.
Em 1929, os Estados Unidos conheceram uma profunda crise econômica, com a queda
da Bolsa de Valores de Nova York, que gerou uma grave crise interna, um alto
índice de desemprego e que acabou afetando vários países do mundo.
Causas - Até por volta de 1925, os países europeus lutavam com dificuldades para
reconstruir a Europa, arrasada pela guerra. À medida que a reconstrução da
Europa foi se reorganizando, Inglaterra, Alemanha e França procuraram atualizar
seus parques industriais e tomaram uma série de medidas protecionistas para
reduzir as importações norte-americanas.
Ao se aproximar o ano de 1929, os Estados Unidos produziam uma enorme
quantidade de mercadorias para as quais não existiam compradores. Os preços das
mercadorias despencavam e mesmo assim, não encontravam consumidores. A queda no
comércio interno ocorreu porque os trabalhadores, que eram boa parte da
população, recebiam baixos salários e não tinham recursos para comprar muitos
produtos.
Os industriais perceberam então, a necessidade de reduzir o ritmo da
produção. Para isso precisavam demitir milhões de trabalhadores. No
decorrer da crise, o número de desempregados nos Estados Unidos atingiu mais de
15 milhões de pessoas.
A agricultura também enfrentava dificuldades devido à superprodução. Os
fazendeiros norte-americanos foram obrigados a pagar altas taxas para armazenar
seus produtos agrícolas e para evitar a queda do preço dos alimentos, no
mercado interno. Mas, a simples existência desses estoques provocou o
barateamento dos gêneros de primeira necessidade. Muitos fazendeiros
endividados junto aos bancos, foram obrigados a entregar-lhes suas propriedades
em pagamentos da dívida.
A superprodução provocada pelo subconsumo, a queda geral dos preços e a
especulação geraram uma crise sem precedentes: a quebra da Bolsa de Valores,
foi o início da Grande Depressão.
O governo procurava manter a ilusão de que tudo ia bem para, com isso, criar
novas oportunidades de negócios fáceis. Membros do governo, políticos e outras
pessoas influentes, através dos jornais e rádio, mantinham a imagem de
prosperidade. As manifestações dos desempregados e as greves por melhores
salários eram reprimidas com violência.
A
crise atingiu o mercado de ações e em 24 de outubro de 1929, a
"quinta-feira negra" ocorreu o crack ("quebra") da Bolsa
de Valores de Nova York.
Era na Bolsa de Valores que as grandes empresas americanas negociavam suas
ações. Com a crise, muitas empresas foram à falência e o valor das ações na
Bolsa caiu assustadoramente de um dia para outro.
A desvalorização refletia a estagnação do parque industrial norte-americano,
cujas empresas faliam cada vez mais. Bancos faliram e milhões de trabalhadores
americanos perderam seus empregos.
A quebra da Bolsa de Valores de Nova York repercutiu na maioria dos países
capitalistas.
Muitas pessoas perderam grandes somas de dinheiro com isso. Houve pânico, desespero,
tendo ocorrido até mesmo numerosos casos de suicídio.
O desemprego aumentou em todo o país: a miséria atingiu grande parte da
população, pois a economia como um todo ficou profundamente desorganizada. Com
a crise em 1929 e 1932, a produção industrial americana foi reduzida em 54%. Os
13 milhões de desempregados, em outubro de 1933, representavam 27% da população
economicamente ativa no país.
A
Crise no Mundo
A quebra da Bolsa de Valores de Nova York repercutiu na maioria dos países
capitalistas. No período de 1929 a 1933, o comércio internacional teve uma
redução de 25% e a produção industrial teve uma queda de aproximadamente
39%.
Na Europa, os americanos retiraram o dinheiro emprestado, provocando; falências
em bancos; falências em empresas; aumento do número de desempregados.
Na América Latina, a repercussão da crise foi muito grande, pois os países
forneciam basicamente produtos agrícolas e matérias-primas aos Estados Unidos.
Com a crise, os Estados Unidos reduziram ou cortaram as compras que faziam
desses países. Com menos dinheiro, os países latino-americanos deixaram de
investir, gerando com isso desemprego e miséria.
O Brasil também foi afetado pela crise de 1929. O Café era o principal produto
de exportação brasileiro, e os Estados Unidos, o nosso principal comprador. Por
causa da crise, os Estados Unidos diminuíram suas compras de café, provocando o
aumento dos estoques do produto no Brasil.
A Grande Depressão só não atingiu a União Soviética, que, isolada pelos países
do Ocidente após a Revolução Socialista de 1917, tinha um comércio
insignificante com os países capitalistas.
O
New Deal (Novo Acordo), foi inspirado nas idéias do economista inglês John
Keynes (1883-1946). O New Deal era um programa misto que procurava conciliar as
leis de mercado e respeito pela iniciativa privada com a intervenção do Estado
em vários setores da economia.
O Estado passou a intervir fortemente na economia, a solução foi abandonar o
liberalismo econômico, começava uma nova fase do capitalismo, chamado
capitalismo monopolista de Estado.
Principais medidas socioeconômicas adotadas pelo New Deal:
Controle, pelo governo, dos preços de diversos produtos agrícolas e
industriais; auxílio à indústria e controle de produção; empréstimos aos
fazendeiros arruinados, para pagarem suas dívidas; execução de grandes obras
públicas, para ocupar parte dos desempregados; salário-desemprego, para aliviar
a situação de miséria dos desempregados.
Pacto de reconstrução da indústria, realização de um acordo social pelo qual se
garantiam os interesses dos industriais (limitação dos preços e da produção às
exigências do mercado) e aos trabalhadores (fixação de salários mínimos,
limitação das jornadas de trabalho).
Conclusão
A
política do New Deal não alcançou todo o sucesso esperado. Mas conseguiu dar
uma controlada no lado mais terrível da crise econômica que gerava fortes
conflitos sociais.
Com essas e outras medidas, a economia começou a recuperar-se. No entanto,
somente a Segunda Guerra Mundial (1939-1945) criaria as condições para um novo
impulso econômico dos Estados Unidos, pois a produção de armamentos aumentou o
número de empregados e possibilitou grandes lucros às empresas.
Data:
01/08/2008
Fontes
consultadas:
NÉRE,
Jacques. História Contemporânea. 2ªed. São Paulo: DIFEL, 1981.
BRENER,
Jayme. 1929: a crise que mudou o mundo. 1ªed. São Paulo: Ática, Coleção
Retrospectiva do Século XX, 1996.
NEVINS,
Allan e COMMAGER, Steele H. Breve História dos Estados Unidos. São Paulo:
Alfa-Omega, 1986.
terça-feira, 17 de abril de 2012
quarta-feira, 28 de março de 2012
Crise de 1929 e o New Deal
Fatores
No decorrer da I Guerra Mundial, a indústria e agricultura dos Estados Unidos atingiram níveis de produção jamais alcançados em todos os demais países. Mas a insistência dessa superprodução, por parte da economia norte-americana, em manter os níveis de produção alcançados durante o conflito mundial, sem ajustá-los às condições do pós-guerra, foi o fator principal para a eclosão da crise de 1929. A estabilização das nações européias tendeu a torná-las auto-suficientes e, depois, concorrentes dos próprios Estados Unidos. O excesso de produção acarretou em baixa dos preços internacionais das matérias-primas, afetando o poder aquisitivo dos países exportadores de produtos primários. Por outro lado, o mercado interno norte-americano, cuja população com poder de compra vinha consumindo dentro do limite máximo de sua capacidade, mostrouse incapaz de absorver a produção excedente. Gerou-se assim uma cria de superprodução (Produtores) ou de subconsumo (Consumidores), agravada pelo fato da economia norte-americana haver se desenvolvido de forma descontrolada.
A Crise
Recusando-se a interferir no processo econômico, o governo do presidente Hoover manteve o tradicional liberalismo ecônomico.
O primeiro setor a entrar em colapso foi o agrícola. Em seguida, foi a vez da indústria.
Durante alguns meses, o mercado de ações manteve-se alheio a derrocada da agricultura e da indústria. Mas a persistência da crise afetou a confiança dos especuladores, gerando a retração na compra de ações. Como resultado, tivemos a especulação na Bolsa de Valores de Nova York. Embora os grandes bancos sobrevivessem à tormenta, milhares de instituições financeiras menores faliram, arruinando milhões de pequenos depositantes e investidores. O desemprego cresceu superando a marca de 13 milhões de pessoas.
New Deal
Em 1933, assumiu a presidência dos Estados Unidos o democrata Franklin Roosevelt. Franklin propôs o projeto do New Deal, ou seja, um conjunto de medidas para acabar com a crise de 1929. Uma das medidas tomadas por Franklin foi a intervenção do estado na economia. Lembrando que essa intervenção do estado na economia, apesar de ser típico de países socialistas, em hipótese alguma houve queda do capitalismo nos Estados Unidos. Os pontos principais do New Deal era a realização de grandes obras públicas para geração de empregos, fixação de preços mínimos para o petróleo, carvão e produtos agrícolas, com o objetivo de estimular a produção.
Por volta de 1936, os Estados Unidos já estavam superando os efeitos da Grande Depressão. Assim, em 1939, o país se encontrava em condições de aproveitar a nova conjuntura criada pela Segunda Guerra Mundial.
Bom texto! Fascismo e Nazismo
08/05/2008 - Marco Mourão
O Fascismo não tem nada a haver
com o socialismo, na realidade, são duas coisas opostas. E o Nazismo é uma
forma de fascismo. Na Alemanha podem dizer que era nazista, fascista ou
nazi-fascista => é a mesma coisa.
Houve a 1.ª Guerra Mundial, a
Revolução Russa e a crise de 29. A I Guerra Mundial destruiu a Itália, em
especial, o norte, que era a região mais rica, industrializada, vai sobrar
apenas uma região agrícola e uma grande massa de desempregados, não vão ganhar
nada com o tratado de Versalhes, morreram 700 mil soldados italianos e os que
sobraram ficaram desempregados como veteranos de guerra. Com a Alemanha, a
situação também ficou muito ruim. O tratado de Versalhes "acabou" com
a Alemanha, onde também há desempregados, inflação e veteranos de guerra (como
Adolf Hitler).
Então, numa sociedade como a da
Itália ou da Alemanha, onde há muita crise e pouca esperança, onde todos já
perderam a perspectiva de um mundo melhor e só numa sociedade como essa, quase
no limite para se desfazer, é que é possível compreender o nazismo e o
fascismo, porque ambos são irracionais => se colocarmos todas as idéias
num papel, vamos contestá-las. Mas, como as pessoas que moram nesses países
estão tão desesperadas, elas não vão contestar nada, vão apenas atender aos
princípios do nazismo e do fascismo.
Para entendermos melhor a
situação vamos dar um exemplo: "você está num barco e este começa a
afundar, mas você tem a perspectiva de escapar do naufrágio e que será salvo,
mas depois que muito tempo se passa, você começa a perder as esperanças, até
que depois de alguns dias, chega alguém e joga uma tábua para salvar as pessoas
do barco, aí você não vai estar interessado em quem é a pessoa, nem de onde veio
a tábua, você apenas se agarra nela para se salvar". Assim também ocorreu
na Itália e na Alemanha, onde chega alguém que joga no meio do povo, que estava
na desgraça, uma proposta de salvação e o povo vai se "agarrar" a
essa proposta.
Na Itália, essa pessoa vai ser
Benito Mussolini e ele diz para o povo desempregado: "Você acha justo ter
seguido todas as regras e não conseguiu nada? Você está sozinho nesse sistema,
a nossa sociedade é cruel e individualista" e diz para as pessoas que
sozinhas elas não são nada, então ele mostra para o povo um graveto e o quebra
dizendo que cada pessoas sozinha na sociedade é frágil. Mas, depois, Mussolini
propõe que todos fossem unidos em torno de um objetivo em comum, atuassem em
conjunto e se ajudassem uns aos outros, aí ele volta e dessa vez pega um feixe
de gravetos e não consegue quebrar, mostrando que sozinhos eles são quebrados
pelo sistema, mas juntos, são invencíveis. Daí vem a palavra fascismo =>
vem da palavra fácil que em italiano significa feixe => daí, o símbolo
do fascismo ser um feixe de gravetos que era o símbolo do Império Romano (houve
um resgate, da história do próprio povo, de um símbolo de união). Eles iriam se
unir em torno do Estado => as pessoas atuariam em favor do Estado e
estes protegeria, mas para isso, as pessoas deveriam abandonar todos os seus
interesses individuais, deveriam pensar não o que é melhor para elas, e sim,
naquilo que é melhor para o país delas. Esse tipo de idéia foi chamada de
Totalitarismo (é uma concepção que mostra às pessoas que nada deve existir fora
do Estado, nada existe além do Estado, tudo é o Estado).
Benito Mussolini diz, então, que
quando um italiano nasce, ele é de sua responsabilidade => vai cuidar
dele, dando saúde, trabalho, comida e salário e diz que o italiano só deixa de
ser sua responsabilidade quando ele morre e quando isso acontece, Mussolini
passa a sua alma para ser sepultada pela santa igreja católica. Se uma pessoa
está com uma péssima vida e chega alguém prometendo todas essas coisas, ela não
pensa duas vezes em apoiar esse alguém e vai ser isso o que vai acontecer.
Depois do totalitarismo (nada
existe fora do Estado), é necessário nomear um líder e esse líder vai ser:
•Benito Mussolini - Itália;
•Adolf Hitler - Alemanha;
•Getúlio Vargas - Brasil;
•Antônio de Oliveira Salazar -
Portugal
•General Franco - Espanha.
E a palavra do líder nunca deve
ser questionada, por isso que todo regime totalitário é uma ditadura
(Autoritarismo). Segundo Hitler e Mussolini, as nações precisavam de trabalho e
prosperidade, não de liberdade. Se alguém é contra o líder, este pode mandar
matá-lo. Hitler: "a força vital de um povo, o seu direito à vida, se
manifestam, quando alguém aparece para conduzi-lo". Em cada país, esse
condutor vai receber um nome especial:
•Duce - Itália - quer dizer
condutor, aquele que conduz, Mussolini foi chamado de Duce.
•Führer - Alemanha - quer dizer
condutor, aquele que conduz, Hitler foi chamado de Führer.
•Pai (figura masculina que está
perto quando nascemos) - Brasil - Getúlio Vargas era chamado de o Pai dos
Trabalhadores (Pobres).
» Nacionalismo: colocar a
culpa no estrangeiro, tudo deveria ser feito para a Nação. Na Alemanha existe
uma certa homogeneidade da raça => a raça germânica, se fosse colocado um
negro dentro duma sociedade branca, este seria bem diferente e seria culpado
pela desgraça do povo, no caso da Alemanha, os culpados foram os judeus
(possuem cultura diferente, são mais baixos, nomes diferentes, tem sotaque,
comem outro tipo de comida, possuem feriados em datas diferentes => são
fáceis de serem identificados). Essa idéia de estrangeiro não poderia ser
inserida no Brasil, pois há uma grande mistura de raças, mas ainda hoje existem
organizações (no RS e SP) que são neo-nazistas (vão culpar os judeus pela
desgraça do país), ainda vão haver grupos que vão culpar os EUA, os
nordestinos, os negros e até as mulheres. E os estrangeiros vão ser eliminados
do mercado de trabalho com o uso de armas => para Hitler, não existe
solução que não passe pelo campo de batalha: "a luta é a mãe de todas as
coisas, não é com princípios humanitários que o homem vive, mas unicamente por
meio da luta mais brutal" - preparação para a guerra => matar o
povo que está ocupando o lugar da "raça superiora". Ao mesmo tempo,
Hitler diz: "quem tem aço, tem pão" => para que vamos produzir
trigo, se podemos construir canhões e tomar o trigo de quem produz? Para que
ser uma pátria de camponeses, se podemos ser os líderes? Porque só há uma raça:
a germânica, as demais raças só servem para servir os germânicos.
Também houve o Militarismo. Pondo
fardas (sentimento de igualdade entre as pessoas => Itália - Camisas
Negras; Alemanha - Tropas de Assalto - Camisas Pardas; Brasil - Camisas Verdes
- são os integralistas) nas pessoas e pagando um salário, cria-se empregos e
prepara-se para a guerra ("a guerra regenera", a "luta é
tudo", a "expansão salva"). Pôr o uniforme em uma pessoa em
crise faz bem, porque faz a pessoa se sentir como parte de um conjunto, igual
às outras. E isso serve em toda sociedade em crise, não importa a época.
Outra característica do
nazi-fascismo é o Romantismo (é dar a vida pelo país, se preparar para o
sacrifício, é totalmente irracional). Diziam que a razão não consegue
solucionar os problemas do país, apenas a fé, o sacrifício, o heroísmo e a
força é que conseguem resolver os problemas nacionais. Hitler: "a ruína de
uma nação só pode ser impedida por uma tempestade de paixão, mas só os
apaixonados podem despertar paixão nos outros" => paixão nesse caso
não significa amor, e sim, esse romantismo. O povo deveria ter muita força de
vontade.
Na hora de culpar o sistema, vão
culpar os comunistas pelo caos reinante (Anti-comunismo). Na verdade, nem
Itália, nem Alemanha são comunistas, elas são capitalistas, mas o povo não quer
pensar nisso, apenas querem um culpado => os comunistas.
Ao mesmo tempo que é
anti-comunista, é Anti-liberal, então mesmo sendo capitalista, o Estado vai
dirigir as aplicações econômicas. Anti-liberal é diferente de anti-capitalista,
é apenas um capitalismo dirigido => um Estado intervindo na economia.
Além dessas características
gerais (totalitarismo, autoritarismo, nacionalismo, militarismo,
anti-comunismo, anti-liberal e romantismo), ainda há características
específicas dos países:
» Itália: existe o
corporativismo => os sindicatos de trabalhadores e de patrões são
extintos e, no lugar, aparecem associações (corporações) de produtores
=> junta-se o padrão e o empregado em um mesmo sindicato (uma mesma
corporação). Isso é feito para que não exista a formação de sindicatos
socialistas e, além disso, quando se junta patrão e empregado, retira-se a
visão de capital e trabalho separados => eles acham que estão juntos e
estar junto significa lutar pela nação, isto é, fortaleceu-se o nacionalismo.
» Alemanha: existe o
racismo, principalmente o anti-semita (contra judeus). Culpa-se o
"diferente". Hitler vai contar uma grande mentira => ele dizia
que durante a I GM, os judeus vendiam os segredos dos alemães para a Tríplice
Entente e que, na crise, o judeu se apropriava do capital que era alemão
Ordem capitalista
Capitalismo: Economia de
Mercado
O capitalismo está voltado para a
fabricação de produtos comercializáveis, denominadosmercadorias, com o objetivo
de obter olucro. Esse sistema está baseado napropriedade privada dos meios de
produção, ou seja, todos os utensílios, ferramentas, matérias-primas e
edificações utilizados na produção pertencem a alguns indivíduos (os
capitalistas).
Nas sociedades capitalistas, o
elemento central da economia é o capital, que pode ser entendido como o
dinheiro que é investido no processo produtivo, com o objetivo de gerar lucro.
Diferencia-se do dinheiro que se destina à satisfação das necessidades pessoais
dos indivíduos. O capital é aplicado em instalações, máquinas, mão-de-obra,
entre outros elementos ou agentes de produção.
Como no capitalismo a produção se
destina ao mercado, ou seja, à comercialização, dizemos que os países
capitalistas adotam a economia de mercado. É em função das necessidades do
mercado que se desenvolvem a produção, a circulação (ou sistema de distribuição
para o mercado consumidor) e o consumidor dos produtos. Essas etapas
caracterizam o chamadociclo de reprodução do capital.
Para produzir e comercializar
suas mercadorias, os proprietários contratam empregados, os não-proprietários,
que nessa relação também estão vendendo uma mercadoria: sua força de trabalho.
Até o início do século XX,
podia-se analisar o sistema capitalista pela oposição de duas classes sociais:
a burguesia detentora do capital, e o proletariado, formado pelos
trabalhadores. Cada vez mais, porém, as transformações econômicas, sociais,
tecnológicas e o aprofundamento da divisão social, tecnológicas e o
aprofundamento da divisão social do trabalho têm inserido elementos novos na
sociedade capitalista, de modo que hoje é preciso considerar fatores como o
surgimento de novas atividades e novas práticas profissionais necessárias para
atender às exigências de um mercado cada vez mais diversificado.
Aspectos como o poder da mídia
sobre a opinião pública, a manipulação exercida pela indústria da propaganda, o
acesso à cultura e à tecnologia a especialização do trabalho, a terceirização
da mão-de-obra e a redução da oferta de empregos ganham cada vez mais destaque.
A Evolução do Capitalismo
O sistema capitalista nasceu das
transformações por que passou a Europa feudal a partir sobretudo do século XII.
O fundamento da riqueza deixou paulatinamente de ser a terra, e a economia de
mercado começou a estruturar-se com base no trabalho artesanal.
O crescimento e o aumento do
número de cidades favoreceram o desenvolvimento de relações mercantis e
propiciaram a diversificação e a mobilidade social até então praticamente
inexistentes. As trocas comercias entre diversas regiões estimularam as
transformações no mundo do trabalho, com o surgimento do trabalho assalariado e
de uma incipiente divisão técnica das atividades.
A partir do século XV, as
relações mercantis, ampliaram-se geograficamente com as Grandes Navegações e a
inserção de novas terras no sistema capitalista de produção. Desenvolveu-se
então a fase do chamado capitalismo comercial; o ciclo de reprodução do
capital estava acentando principalmente na circulação e distribuição de
mercadorias realizadas entre as metrópoles e as colônias.
Os papéis diferentes que
assumiram a Europa de uma lado e, de outro, a Ásia e as terras
recém-descobertas do além-atlântico inauguraram a divisão internacional do
trabalho (DIT), genericamente caracterizada pela exportação de manufaturas
pelas metrópoles e pela produção de matérias-primas pelas colônias.
Mas o sistema capitalista só iria
se consolidar definitivamente no século XVIII, com a substituição da manufatura
pelas máquinas a vapor, iniciadas nas indústrias têxteis da Inglaterra. A
mecanização imprimiu um novo ritmo à produção de mercadorias, e o trabalhador
que antes produzia sua mercadoria individualmente e de modo artesanal agora ia
para as linhas de produção, onde se reunia a centenas de outros operários que
se tornaram assalariados.
As transformações socias e
econômicas associadas a esse período forma tão intensas que representaram uma
verdadeira Revolução Industrial.
A partir de então, o capitalismo
se fortaleceu, atingindo sua forma plena no século XX, com a formação de
grandes conglomerados econômicos e de um grupo de potências, o chamadoGrupo dos
Sete, constituído pelos sete países mais ricos do mundo: Estados
Unidos, Japão, Alemanha, França, Itália, Reino Unido e Canadá. Graças à
sua força econômica, esses países influenciaram os padrões mundiais de
desenvolvimento, controlam a maior parcela da produção econômica mundial e,
como consequência, interferem no destino de toda a humanidade.
O Capitalismo Liberal
Nos século XVIII e XIX, o
capitalismo florescia na forma de pequenas e numerosas empresas que competiam
por uma fatia do mercado, sem que o Estado interferisse na economia. Nessa
fase, denominada capitalismo liberal, ou concorrencial, predominava
a doutrina de Adam Smith (1723-1790), segundo a qual o mercado deve ser regido
pela livre concorrência, baseada na lei da oferta e da procura: quando a oferta
é maior que a procura, os preços se elevam, Refletindo o otimismo
científico-tecnológico característico do período, Smith acreditava que o
mercado atingiria um equilíbrio natural por si só e que o progresso constante
conduziria a humanidade à condição ideal, na qual não haveria escassez e tudo
seria bem-estar.
Regionalização Mundial (Tipos de Regionalização)
A Teoria da Regionalização Mundial tem por
objetivo identificar grandes áreas do planeta com características próximas, no
que diz respeito à população e a economia, ou ainda, semelhanças na Formação
Sócio-Econômica-Espacial. Nesta aula não será abordada a tradicional divisão do
planeta em continentes, ou seja a regionalização a partir de critérios
naturais.
As Ciências Sociais buscam criar uma metodologia apropriada para lidar com a enorme diversidade e também para compreender as diferentes realidades encontradas no planeta. Para compreender um texto, em especial um Clássico, deve-se inicialmente analisar o momento histórico a que ele se refere e/ou foi escrito; só a partir daí seus conceitos podem ser interpretados.
Esta observação sobre diferentes metodologias e conceitos ao longo da história é de grande utilidade em todas as aulas, a principiar pelas diferentes formas de regionalização propostas até a atualidade. Não se pode esquecer que com o decorrer da história, novas metodologias surgem e novos conceitos são lançados para diagnosticar com maior propriedade a dinâmica realidade das sociedades.
Países Desenvolvidos e Subdesenvolvidos
O economista Joseph Alois Schumpeter (1883-1950)
foi um dos precursores desta proposta de regionalização. Ele propôs o conceito
de desenvolvimento econômico condicionado às idéias de inovação tecnológica e
da ruptura do “fluxo circular”. Schumpeter privilegiou a atuação do
empreendedor, do inovador na superação da condição de pobreza, da precariedade.
Assim estabeleceu a divisão do mundo entre aqueles que se desenvolveram e os
que supostamente poderiam se desenvolver.
Entre as diversas escolas do pensamento econômico se destacam as seguintes idéias:
Liberalismo - o subdesenvolvimento é sinônimo
de estagnação econômica.
Neoliberalismo - criou os rótulos “países em
desenvolvimento” e “países emergentes”, e posicionou os antigos
“subdesenvolvidos” dentro de uma fase do desenvolvimento.
Estruturalismo - estabeleceu que, além das
razões econômicas, o subdesenvolvimento era resultante da fragilidade das
instituições próprias de cada Estado.
Keynesianismo - determinou o
subdesenvolvimento como fruto da ausência de um Estado forte, capaz de impor
medidas reguladoras, subsídios e protecionismo alfandegário.
Teoria da Dependência - argumentou que o
subdesenvolvimento é resultado de trocas internacionais desiguais e não da
ausência do desenvolvimento, portanto, é produto do desenvolvimento desigual de
outros países.
Países Centrais e Periféricos
Rosa Luxemburgo (1870-1919), filósofa marxista e
militante revolucionária cuja bandeira era “Socialismo ou barbárie”, foi grande
defensora desta proposta de regionalização. No sistema capitalista, segundo
esta concepção, os países centrais e os países periféricos travam um conflito
desigual, no qual não há espaço para que os menos abastados alcancem qualquer
forma de progresso, seja social ou econômico.
Cada país ocupa um espaço e desempenha seu papel no mundo capitalista, assim a periferia jamais chegará ao centro. No início do século XX, esta visão de mundo foi adotada por inúmeros movimentos revolucionários, depois esquecida por algumas décadas. Na atualidade voltou a ganhar espaço nos meios acadêmicos. Em 1949, o economista argentino Raul Prebish apresentou a tese O Desenvolvimento Econômico da América Latina e seus Principais Problemas. Nesta obra, a difusão do progresso técnico e a distribuição dos seus ganhos na economia mundial aconteciam de forma desigual. No centro, a difusão do progresso técnico teria sido mais rápida e homogênea, enquanto na periferia, o progresso só atingiria setores ligados à exportação em direção ao centro.
A CEPAL (Comissão Econômica para a América Latina e Caribe da Organização das Nações Unidas), criada também em 1949, adotou esta linha em seus estudos. PRIMEIRO, SEGUNDO E TERCEIRO MUNDOS Em 1952, o demógrafo francês Alfred Sauvy (1898-1990), cunhou a expressão “Terceiro Mundo” para classificar as novas nações da Ásia e da África que surgiam durante o processo de descolonização, após a Segunda Guerra Mundial (1939- 1945).
Sauvy notou semelhanças entre as aspirações dessas nações com as do “terceiro estado” antes da Revolução Francesa. Em 1789, o “terceiro estado” representava 95% da população, porém somente o primeiro e segundo estados (clero e nobreza) tinham real representatividade política, privilégios jurídicos e fiscais, o “terceiro estado” arcava com a carga tributária. Na sua concepção, os países que se opunham às metrópoles imperialistas formavam o “Terceiro Mundo”, isto é, um bloco de países capitalistas jovens, desprovidos de capital e crédito, entre outras formas de precariedade. O “Segundo Mundo” era constituído pelos países socialistas, o “Primeiro Mundo” pelos países capitalistas dominantes.
Em 1955, na primeira Conferência entre os países “Não Alinhados”, realizada em Bandung, na Indonésia, esta proposta de regionalização ganhou espaço na mídia e se popularizou nos anos da Guerra Fria. De forma equivocada esta proposta de 2 regionalização ainda é utilizada, mesmo não existindo países socialistas (Segundo Mundo), pelo menos em sua concepção original. Nos seus últimos anos de vida, Sauvy declarou que tal denominação deveria ser abolida. Para ele, o “Terceiro Mundo” deveria ser um bloco politicamente oposto ao “Primeiro Mundo” e não somente um agrupamento de países de grande precariedade econômica. Além disso, os países designados como “Terceiro Mundo” não poderiam servir ao interesses dos países dominantes.
Países do Norte e do Sul
Diferente das demais propostas de regionalização,
esta não apresenta um autor precursor, mas cabe destacar o presidente dos
Estados Unidos, Bill Clinton, como um dos responsáveis pela popularização dessa
representação. Após décadas de Guerra Fria, o enfrentamento ideológico entre
Socialismo e Capitalismo (Leste x Oeste) perdeu espaço para a disputa econômica
entre Ricos e Pobres (Norte x Sul). A idéia ganhou força no início da década de
1990, a partir da dissolução da União Soviética, principal representante do
“Segundo Mundo”.
Com relação a essas representações, deve ficar claro que são simplificações arbitrárias, convenientes para a maior parte da mídia e para os Estados que as endossam. Em nenhum momento o Leste foi totalmente Socialista nem o Oeste plenamente Capitalista. A divisão entre Norte e Sul também é uma representação simbólica, que desrespeita a Linha do Equador. A desigualdade entre Norte e Sul já existia, mas não se evidenciou após a Segunda Guerra Mundial devido ao predomínio da Guerra Fria.
Com relação a essas representações, deve ficar claro que são simplificações arbitrárias, convenientes para a maior parte da mídia e para os Estados que as endossam. Em nenhum momento o Leste foi totalmente Socialista nem o Oeste plenamente Capitalista. A divisão entre Norte e Sul também é uma representação simbólica, que desrespeita a Linha do Equador. A desigualdade entre Norte e Sul já existia, mas não se evidenciou após a Segunda Guerra Mundial devido ao predomínio da Guerra Fria.
Por: Marcelo Luiz Corrêa
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