sábado, 3 de março de 2012
Darwinismo social
O
século XIX foi marcado pelo desenvolvimento do conhecimento científico. A busca por
novas tecnologias, alavancada pela Revolução Industrial, fez com que os
estudiosos se multiplicassem nas mais variadas áreas do conhecimento. Nessa
época, várias academias e associações voltadas para o “progresso da ciência”
reconheciam a figura dos cientistas e colocavam os mesmos como importantes
agentes de transformação social.
No
ano de 1859, um estudioso chamado Charles Darwin transformou uma longa
caminhada de viagens, anotações e análises no livro “A origem das
espécies”. Nas páginas daquela obra revolucionária nascia a teoria evolutiva, o
mais novo progresso galgado pela ciência da época. Negando as justificativas
religiosas vigentes, Darwin apontou que a constituição dos seres vivos é fruto
de um longo e ininterrupto processo de transformação e adaptação ao ambiente.
Polêmicas
à parte, Darwin expôs que as espécies se transformavam a partir de
uma seleção em que características mais adaptadas a um ambiente se
tornavam predominantes. Com isso, os organismos que melhor se adaptavam a um
meio poderiam sobreviver através do repasse de tais mudanças aos seus descendentes.
Em contrapartida, os seres vivos que não apresentavam as mesmas capacidades
acabavam fadados à extinção.
Com
o passar do tempo, observamos que as noções trabalhadas por Darwin acabaram não
se restringindo ao campo das ciências biológicas. Pensadores sociais começaram
a transferir os conceitos de evolução e adaptação para a compreensão das
civilizações e demais práticas sociais. A partir de então o chamado “darwinismo
social” nasceu desenvolvendo a ideia de que algumas sociedades e civilizações
eram dotadas de valores que as colocavam em condição superior às demais.
Na
prática, essa afirmativa acaba sugerindo que a cultura e a tecnologia dos
europeus eram provas vivas de que seus integrantes ocupavam o topo da
civilização e da evolução humana. Em contrapartida, povos de outras regiões
(como África e Ásia) não compartilhavam das mesmas capacidades e, por tal
razão, estariam em uma situação inferior ou mais próxima das sociedades
primitivas.
A
divulgação dessas teorias serviu como base de sustentação para que as grandes
potências capitalistas promovessem o neocolonialismo no espaço afro-asiático.
Em suma, a ocupação desses lugares era colocada como uma benfeitoria, uma
oportunidade de tirar aquelas sociedades de seu estado “primitivo”. Por outro,
observamos que o darwinismo social acabou inspirando os movimentos
nacionalistas, que elaboravam toda uma justificativa capaz de conferir a
superioridade de um povo ou nação.
De
fato, o darwinismo social criou métodos de compreensão da cultura impregnados
de equívocos e preconceitos. Na verdade, ao falar de evolução, Darwin não
trabalhava com uma teoria vinculada ao choque binário entre superioridade e
inferioridade. Sendo uma experiência dinâmica, a evolução darwiniana acreditava
que as características que determinavam a “superioridade” de uma espécie
poderiam não ter serventia alguma em outros ambientes prováveis.
Com
isso, podemos concluir que as sociedades africanas e asiáticas nunca precisaram
necessariamente dos valores e invenções oferecidas pelo mundo ocidental. Isso,
claro, não significa dizer que o contato entre essas culturas fora desastroso
ou marcado apenas por desdobramentos negativos. Entretanto, as imposições da
Europa “superior” a esses povos “inferiores” acabaram trilhando uma série de
graves problemas de ordem, política, social e econômica.
segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012
terça-feira, 14 de fevereiro de 2012
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012
Introdução a Geografia - 1º ano
DEFINIÇÃO
–
Geografia é a ciência que se ocupa da descrição e do estudo das inter-relações
do homem com o espaço.
Sua participação no
processo evolutivo das antigas civilizações ajudou a plantar as bases de
conhecimentos que são perpetuados até os dias atuais e por isso, seu valor como
ciência não pode ser descartado.
Com
base na influência que o homem produz sobre o espaço, podemos chegar às
seguintes divisões:
1ª
Natureza – corresponde ao espaço natural intocado pelo homem
(cada vez mais raro);
2ª
Natureza – pode ser entendida como sendo o espaço modificado
pelas ações humanas (Espaço geográfico).
O
estudo da geografia requer a manipulação dos seguintes recursos:
Lugar –
porção espacial em que nós estabelecemos relações cotidianas;
Território –
normalmente estão relacionados com poderes estabelecidos. Contudo, pode ser
considerado território inclusive, onde o poder é imposto pela força;
Paisagem
–
pode ser entendido como paisagem tudo aquilo que vemos e sentimos, ou seja, que
está na dimensão dos nossos sentidos;
Região
–
são áreas que se diferenciam do seu entorno por uma ou mais particularidades.
Evolução
da Geografia Idade
Antiga 4200 a.C. a 476 d.C.
Egito Grécia
Tales
de Mileto (624-546 a.C) – Introduziu na Grécia os fundamentos
da geometria e da astronomia. Para ele a origem de todas as coisas estava no
elemento água.
Anaximandro de Mileto (610
a.C.- 547 a.C.) foi discípulo de Tales. Assim como
seu mestre, procurou compreender o princípio (arkhé) que origina toda a
realidade. Primeiro a traçar o mapa mundi da época.
Aristóteles de
Estagira,
(384 a.C. – 322 a.C.) filósofo grego, um dos maiores pensadores de todos os
tempos. Primeiro a ganhar crédito ao conceituar a esfericidade da terra.
Heráclides de Pontus (388 – 315 a.C) propôs que a terra
gira em seu próprio eixo e que Venus e mercúrio orbitam o sol.
Aristarco
de Samos
(310-230 a.C.) ACREDITAVA QUE A TERRA SE MOVIA EM TORNO DO SOL e estudava um
modo de medir a distância do Sol e o tamanho da Lua.
Eratóstenes de Cirênia (276-194 a.C.), foi o primeiro a medir o diâmetro da
Terra e dividiu os paralelos e meridianos.
Hiparco de Nicéia (c.190-c.120 a.C.), considerado o maior astrônomo da era pré-cristã,
Catalogou cerca de 850 estrelas.
Estrabão (Strabo) – Escreveu sobre a forma da terra e relatou diversas
viagens na sua obra Geographicae.
Filolau – Idealizou o Sistema Pirocêntrico (fogo central).
Ptolomeu (85 d.C. - 165 d.C.) (Claudius
Ptolemaeus) foi o último astrônomo importante da antiguidade. Propos o
sistema geocentrico. Descobriu a refração atmosférica.
IMPÉRIO
ROMANO – Com o apogeu do império romano, observa-se a
consolidação do modo de produção escravocrata bem como, o domínio de Roma
frente as nações conhecidas da época.
Destacam-se
neste período:
Pompônio
de Mela – descreve todo o mundo conhecido da época em três
obras;
Marcus
Vipsanius Agrippa – construiu, por ordem do imperador, um
grande mapa mundi para mostrar a grandiosidade romana;
Plínio
Secundos – Escreveu a obra História
Naturalis importante fonte de conhecimento durante a Idade Média.
Idade
Média 476 1453 – foi um período em que observou-se um
processo de estagnação e retrocesso à pesquisa científica em decorrência das
invasões bárbaras na Europa, que confinou todo o conhecimento na Igreja tendo
assim, ficado submetido aos dogmas da religiosos que fizeram recuar uma série
de verdades científicas do mundo grego.
Idade
Moderna (1453 – 1789)
Fernando
de Magalhães - 1ª tentativa de fazer a circunavegação
(1519 -1522)
Nicolau
Copérnico – (1473-1543) reafirmou a teoria heliocêntrica.
Galileu
Galilei (1564 – 1642) inventou a luneta e comprovou o movimento
de rotação da terra.
Johanes
Kepler (1571-1630) – leis da mecânica celeste.
Isaac
Newton – publicou as leis da gravitação universal.
Idade Contemporânea
Escola determinista – Ratzel
Escola Possibilista – Paul
Vidal de La Blache
Século
XX - A relação homem meio foi profundamente marcada pelas
transformações ocorridas ao longo do século XX. Surge então a geografia crítica
ou marxista que rompe com o caráter meramente descritivo da geografia afirmando
que além de descrever é necessário também propor intervenções no espaço.
Nova Geografia cultural - estuda as culturas e suas variações através dos
espaços e dos lugares.
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